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Roscoe está mais otimista que Bolsonaro com os rumos da economia

O crescimento baixo da economia não está assustando os empresários mineiros. Ao contrário, o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe, está otimista e acredita que os números neste ano serão melhores do que os cobrados pelo presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Economia, Paulo Guedes. O presidente quer que o PIB deste ano chegue a pelo menos 2%. Mas um problema em Minas está preocupando o líder empresarial: o reajuste para os servidores da área de segurança pública e de outras áreas, como foi aprovado na Assembleia Legislativa. Roscoe (foto) entende que o governador Romeu Zema errou ao ceder á pressão dos policiais e por isso, deveria vetar todo o projeto.

 

Por que a Fiemg decidiu se manifestar contra o reajuste dos militares e dos servidores?

Porque a Fiemg identificou que há, claramente, uma incapacidade do Estado de pagar esse aumento. O Estado não tem condições de arcar do ponto de vista financeiro, com o custo desse aumento. O Estado já não consegue pagar as 12 folhas de pagamento do ano mais o 13º então, como vai pagar aumento da ordem de 40% em cima disto? Os servidores já estão com os salários parcelados. Estamos entendendo que há uma inviabilidade disso ser feito.

 

O governador errou ao ceder a pressão da polícia?

O governo errou ao ceder à pressão da polícia, com certeza, na minha avaliação. Agora o problema ficou maior, porque virou um problema de todos os servidores.

 

E está avançando para todo o país. O caso de Minas está sendo visto como estímulo para polícias de outros estados.

Claro, e os outros estados estão passando por dificuldades, não só Minas Gerais.

 

Falando de economia, o presidente Jair Bolsonaro está pressionando o ministro da Economia por um crescimento neste ano de 2%. O senhor ainda acredita que esse crescimento será maior?

Eu acredito que o crescimento será maior do que 2%. Eu tenho convicção disso.

 

O que o senhor está vendo de diferente no país?

Nós estamos vendo investimentos, melhora na atividade econômica e temos perspectivas muito positivas. A queda na taxa de juros ainda vai trazer um horizonte bastante positivo.

 

A demora do governo em enviar as reformas ao Congresso Nacional cria uma situação de instabilidade?

Acho que não. No processo das reformas já era esperada essa lentidão. Não é dentro do cronograma de todos. O Brasil é um país democrático, onde existe a discussão democrática e acredito que essa expectativa em relação a demora do processo já está precificado nos ativos.

 

Essa reforma tributária que deputados e senadores estão trabalhando é suficiente para o país voltar a crescer?

Nós acreditamos que a reforma que está no Congresso não é a ideal, mas acreditamos que já será aprimorada e nós vamos conseguir chegar a um texto que fique mais próximo daquilo que do entendemos ser o melhor para a economia.

 

O que está faltando?

Falta a discussão, o processo democrático, a desoneração da folha. Ou seja, a folha tem que ser desonerada. O retorno tem que ser aferido em outro local, que não seja na folha de pagamento, na nossa interpretação.

 

Tem se falado muito na simplificação dos impostos e no fim da guerra fiscal entre os estados. Essas medidas ajudariam?

A guerra fiscal, na minha perspectiva é um ponto negativo, mas não é o principal problema do Brasil. Eu acredito que tem outras coisas prioritárias na reforma.

 

Muitos empresários de Minas têm preferido investir em São Paulo, que tem se tornado uma ilha de desenvolvimento no país. Isso é um problema?

Isso não é coisa de agora. São Paulo já é a maior economia do Brasil há muito tempo e claro que a força gravitacional de São Paulo gera impactos. É um movimento natural que já vem ocorrendo há algum tempo. Essa não é uma ameaça, é uma realidade. Há muito tempo que São Paulo é a locomotiva do crescimento brasileiro.

 

O dólar a US$4,40 pode trazer que reflexos para a economia?

Eu acho que se for uma oscilação que volte na semana que vem, é ruim. Se for algo sustentável é muito bom, porque torna o Brasil mais barato. Virão muitos turistas estrangeiros para cá, vai ativar a economia, vai facilitar as exportações e, com certeza, será um impulso para esse processo econômico de crescimento e o dólar e um fator nessa direção.

 

O senhor concorda com essa lógica do ministro Paulo Guedes de que é melhor o dólar alto?

Claro que concordo, está corretíssimo.

 

A crise na China causada pelo coronaviruspode afetar a economia brasileira?

Pode afetar. Mas eu acho que essa crise não afetou o Brasil de maneira significativa. Mas se alongar, pode afetar. Acho plenamente factível a retomada.

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