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Uma ducha de água fria nas expectativas de reverter os resultados ruins de 2020

Inconformados com a decisão do prefeito Alexandre Kalil de proibir a venda de bebidas alcóolicas em bares e restaurantes, em BH, representantes do setor tentam reverter a situação. Eles reclamam da falta de diálogo e da frustração para o setor, que esperava recuperar parte das perdas durante a pandemia justamente agora, segundo o presidente do Sindbebidas, Marco Falcone (foto).

Os empresários do setor foram surpreendidos com essa decisão da prefeitura?

Fomos surpreendidos e ficamos estarrecidos com essa decisão. Tínhamos a expectativa de reverter, no final do ano, um pouco das perdas causadas pela pandemia e agora mais essa. Nós tivemos o caso Backer, no começo do ano, o que realmente foi uma ducha de água fria muito grande no nosso setor. Depois, em março, veio a pandemia, sem falar nas chuvas intensas que inundaram BH inteira. Quando tentávamos tirar o nariz para fora da água para respirar, vinha outra coisa em cima. Na pandemia nós perdemos 90% do nosso faturamento. Todo o setor de bares e restaurantes, os fabricantes de cerveja artesanal, que represento, sofreram muito. Tivemos que demitir gente, muita gente está sobrevivendo, até hoje, com a esperança de recuperar alguma coisa. Dezembro é uma época em que essa esperança resplandece. Aí vem a prefeitura e decreta uma lei ditando um protocolo. Quem atendeu o protocolo foi punido. Eu obedeci e fui punido. Veja o absurdo o que é uma decisão dessas. Nós já tínhamos até procurado a prefeitura sugerindo que houvesse uma fiscalização e dessem um selo verde para quem estivesse cumprindo integralmente o protocolo. Para quem ainda não tivesse atingido, mas estava se esforçando, ganhava um selo amarelo e os que não estavam atendendo receberiam o vermelho e os estabelecimentos seriam fechados. Esses não merecem ficar abertos. Foi de uma injustiça brutal para com o setor. É igual você dar um dever para a criança fazer, ela resolve e ainda assim é punida. Isso não é algo democrático.

O setor chegou a apresentar essa proposta para a prefeitura?

Apresentamos informalmente. Formalmente não. Mas esperávamos que, se houvesse uma decisão radical como essa, chamassem o setor para o diálogo. E isso não houve. Foi uma decisão na calada da noite, que pegou todo mundo desprevenido. Nós estamos extremamente preocupados porque a época de Natal era uma possibilidade que tínhamos de recuperação de uma parte desse ano trágico e, de repente, nós somos pegos com essa decisão. Fechou. Acabou. Não pode vender bebida alcóolica. Meu setor é de cerveja artesanal, nós somos empresas pequenas, familiares, mas que empregam muito mais mão de obra do que a grande indústria. Como vamos sobreviver? Essa decisão foi de uma incoerência absurda.

Nesse retorno já havia a sinalização de recuperação?

Sim. Um exemplo é a nossa empresa, a Casa Falke. Nós chegamos a trabalhar com 200 mesas antes e agora estávamos trabalhando com 40 mesas, respeitando o distanciamento de 2 metros de cada mesa, com código de barra Aas pessoas para se levantarem da mesa tinham que colocar a máscara, tinha termômetro na entrada para medir a temperatura, álcool em gel em todas as mesas, que mais que ele quer que eu faça. Ele quer que a gente feche as portas, que a gente morra? Essa é uma situação absurda. A reabertura estava nos dando fôlego. O que nos fez sobreviver foi o delivery. Estava garantindo o pagamento dos salários. A maioria das empresas do setor está com os salários em dia, mas deixamos de pagar empréstimos, impostos e agora que era a hora de pagar essas coisas que ficaram para trás. Fomos pegos desprevenidos com uma punhalada pelas costas, na capital brasileira dos bares, a capital brasileira da cultura cervejeira. Uma atitude insensível, absurda para mostrar que é bravinho. Estamos chocados.

Os representantes do setor estão tentando negociar com a prefeitura reverter essa decisão?

Nós já acionamos a área de Relações Institucionais da Fiemg e o departamento Jurídico, que está tentando alguma ação para reverter essa decisão. Nós contamos com esse suporte da Fiemg. Além disso, também presido a Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais e nós também devemos fazer uma solicitação via Federação Nacional para obtermos algum êxito, porque essa é uma situação muito difícil. A pessoa foi eleita e agora acha que pode tudo.

O setor foi muito abalado com a questão da Backer?

Fomos muito abalados, mas nós conseguimos uma correção. Fizemos uma série de ações que provaram para o público que ele podia confiar. Nós conseguimos provar por A mais B que o caso Backer era uma coisa pontual, à parte do nosso setor.

Essa confiança foi restaurada?

Nós tínhamos retomado as vendas. Esse caso foi criminoso, à parte mesmo. A Backer pediu a reintegração e nós não admitimos, porque ela foi expulsa do Sindicato. Nós já tínhamos conseguido recuperar devido a essa atitude corajosa de assumir o que é e o que não é.

Quais os próximos passos agora?

Nós estamos tentando acionar o Poder Legislativo, que é a Câmara dos Vereadores. Os vereadores já tinham concedido um apoio as cervejarias artesanais e, agora, nós estamos pleiteando, o título de capital brasileira da cultura cervejeira. No Judiciário haverá alguma ação com pedido de mandado de segurança e no Executivo, estamos tentando o diálogo.

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