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Blog do PCO

O antes e o depois da pandemia 

Antes mesmo da pandemia da Covid-19 o país já passava por um clima político acirrado, com intensos bate-bocas pelas redes sociais. Com o isolamento social, muitos pensaram que essas divergências iriam diminuir, porque o inimigo seria o mesmo. Ledo engano. As divisões aumentaram, a intolerância também, principalmente entre os políticos. Uma situação que é explicada pela psiquiatra Sofia Bauer (foto). Se de um lado estamos todos exaustos, de outro a vaidade dos políticos funciona como um fósforo em um palheiro. O problema é que essa vaidade está afetando a vida dos brasileiros. 

 

A pandemia deixou as pessoas estão mais violentas, menos tolerantes?

Sim. O isolamento social está deixando as pessoas com o estopim curto. Nós estamos vivendo sobressaltados. Estamos em estado em que nós ativamos o sistema de luto ou fuga, que tem muita adrenalina. O fato de as pessoas estarem com o pavio curto, seja para o excesso ou para a falta de zelo, as pessoas estão brigando muito. Briga porque não coloca a máscara, briga porque coloca a máscara e toda essa exaltação é noradrenalina, que está em todo mundo. Todo muito está brigando sem precisar, só depois percebemos. Isso porque estamos exaustos de ficarmos adrenilados, de ficar em luto/fuga. Todo mundo está precisando de um tempo para descansar. Mas como descansar com um inimigo desses lá fora? Não tem muito jeito.  

 

Crianças e adolescentes o tempo todo em casa significa muita energia acumulada. Como lidar com tanta energia?

Esse é um lado que está sendo pesado para os pais. Filhos pequenos em casa, filhos adolescentes que não querem dormir à noite. É muito importante que ele tenha rotina e colocar rotina em um adolescente em casa, sem nada para fazer, que está estudando online ou fingindo que está estudando, é muito complicado. É hora dos pais terem paciência, criatividade para colocar jogos e brincadeiras com os filhos, para deixá-los sempre saudáveis e manter a rotina. Tem que acordar cedo, dormir mais cedo, tem que fazer o exercício, tem que ter a hora de lazer, hora de descanso. Os pais precisam criar uma rotina para que eles a mantenham, mesmo que seja dentro de casa.

 

Isso não parece difícil quando se fala em dois, três meses. Mas oito, nove meses essa rotina pesa, não é?

Nós que temos que pensar que esta é uma guerra. O mundo inteiro está nessa guerra. Se o mundo conseguiu sobreviver a segunda guerra mundial, que durou tantos anos, com fome, com frio, sem um antibiótico, sem calefação na neve e o povo conseguiu sobreviver? Pensa que muitas famílias conseguiram sobreviver vivendo em um porão, escondidos, sem dinheiro ou vivendo isolados em uma fazenda. Nós também vamos sobreviver. Nós estamos em guerra e as pessoas precisam entender isso. Não há como fazer de outra forma.

 

 Por outro lado, foi um período em que as pessoas puderam se conhecer melhor? 

Sim, tem muitos ganhos. Primeiro: as pessoas estão se conhecendo mais, estão aprendendo a ter o seu cantinho, a sua casa, tanto que não tem nem mais material de construção, porque as pessoas estão melhorando as suas moradias, estão aprendendo a lidar com seus próprios filhos, estão comendo melhor, porque estão fazendo as suas comidas. Tem o lado bom. Houve também muitas melhorais em termos de internet, com os bancos online, melhorias de burocracia que estão diminuindo, melhoria nas compras, que ficam mais facilitadas para as pessoas fazerem suas compras online, tem certas melhorias e vantagens. Temos que ver o lado bom das coisas também. Com as famílias se encontrando mais, ficando mais unidas, dentro do aconchego do lar. 

 

Antes da pandemia vínhamos em um clima político muito acirrado, que piorou durante a pandemia. Esse é um reflexo dessa situação? 

Piorou exatamente devido a luto/fuga. Os políticos com toda a sua vaidade estão em luto/fuga e estão mais adrelinados. Então as ferpas estão cortantes, infelizmente. E se os políticos ou o governante tiver um estopim mais curto, a situação é ainda pior. Se fosse uma pessoa que tivesse tranquilidade, que estivesse à frente e fosse mais tranquila, nós teríamos mais possibilidades. É só observar a postura do Papa Francisco e a postura de um governante. O papa é mais tranquilinho, ele fala com mais calma. Tanto faz se é o governante de uma escola, um político, se for governante de qualquer coisa, se esse governante for estourado, a tendência é ter mais ferpas, mas brigas. 

 

Nós estamos vendo uma briga pela vacina aumenta a insegurança da população e a sensação de impotência? 

É uma pena isso que está acontecendo. Todas vacinas precisariam chegar. Aumenta a insegurança e ficamos apavorados, porque nos sentimos mais inseguros. Se todos os países estão tentando as vacinas e ninguém ainda sabe qual será boa, é importante que todas elas cheguem e todas as pessoas tenham acesso a ele. É uma pena que os governantes façam dessa foram. Mas estão fazendo porque estão vivendo do sistema simpático/ligado, que é esse sistema de luto/fuga. E se eles tiverem um temperamento mais forte, eles vão riscar o palito de fósforo e vão acender a fogueira em fogo de palha. Tomara que eles acalmem até que as vacinas saiam. 

 

Está todo mundo fora da caixa? 

Está todo mundo meio maluquinho mesmo.

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