Bem, o governo federal, empossado em 1º de janeiro, chegou aos cem dias com a frustração de boa parte dos mais de 60 milhões eleitores que votaram nele para tirar do Poder o falastrão do Bolsonaro (foto). E ele já está aí e fazendo política, depois de 90 dias fugindo do Brasil, passeando por Orlando. Voltou fazendo política ao seu melhor estilo, espalhando fake News contra seu adversário Lula. Por falar em Bolsonaro, nesta semana ele presta depoimento na Polícia Federal para esclarecer o escândalo das joias milionárias e outros presentes que ganhou, como presidente, no exterior. Mimos que deveria ter recolhido ao acervo do Governo, mas que tomou, ou tentou tomar, para si. A presença de Bolsonaro no país, com uma alta remuneração do PL - algo em torno de R$ 100 mil mensais - para tentar ser líder da oposição, pode complicar o relacionamento do governo com o Legislativo, causando dificuldades para aprovação de propostas do governo daqui para a frente. O teste será no encaminhamento do arcabouço fiscal que o ministro Fernando Haddad - candidatíssimo a presidente em 2026, caso Lula mantenha a promessa de não tentar a reeleição - enviou para aprovação do Congresso. O projeto é complexo, tem a aprovação de muitos, mas nada significa para a maioria dos cidadãos que não conseguem entender seus reflexos na economia e, consequentemente, nas finanças do Governo. A maioria dos analista aposta em dificuldades políticas para a aprovação do projeto, dificuldades que aumentaram presidente do Senado, e Arthur Lyra, presidente da Câmara, que insiste, sem fundamento legal, em alterar a composição das comissões mistas que vão examinar o projeto do governo. Outro fator complicador das discussões no Legislativo, que preocupa muito os governistas é o espírito raivoso de Lula e seus rompantes verbais, que acirram ânimos e estimulam radicais. Controlar o presidente passou a ser uma preocupação. A reforma fiscal cuja discussão se inicia, apesar de sua importância, é apenas uma ponta das enormes mudanças pelas quais Brasil terá que passar nos próximos anos. Mudanças em todos os campos, inclusive com alterações constitucionais, que ficam mais difíceis com a baixa qualidade dos Legislativos e a radicalização que se desenha na sociedade. Serão anos difíceis a frente, agravados pela falta de lideranças políticas reais, este, um problema crônico do país. (Foto/reprodução internet)