Se nacionalmente a disputa está polarizada, com pouca margem para uma terceira via, em Minas Gerais, o estado das velhas raposas políticas, parece parado no tempo. Os partidos não conseguem se decidir. Candidatos estão sendo forçados a entrar na disputa e o quadro está confuso e indefinido. A análise é do mestre em administração mercadológica e marketing e dono do Instituto Viva Voz, Igor Carvalho Lima (foto: Tião Mourão). Ele lamenta que com a eleição tão próxima, o cenário ainda é de indefinição.
Depois da janela partidária o que esperar das candidaturas em Minas e no Brasil?
Minas tem uma grande incógnita que é a federação União Brasil/PP. Eles são o fiel da balança e não sabem se vão apoiar Mateus Simões, apesar de ser um caminho natural por causa do Marcelo Aro, do PP. Só que teve a migração do Carlos Viana para o PSD e criou uma verdadeira saia justa. Não é uma saia justa porque está o Carlos Viana no PSD, que é o partido do Matheus Simon, que já tinha apalavrado com o Marcelo Aro para ele ser candidato a senador. Mas quem define esse imbróglio, e essa questão partidária no Brasil tem um problema muito grande, porque quem define é o diretório nacional, então não adianta o diretor estadual negociar. Se o Antônio Rueda, que é o presidente União Brasil mandar fazer uma aliança, o diretório estadual tem que fazer. Ainda tem o PL que está flutuando por ali, com Flávio Roscoe, avaliando se lançam a sua candidatura ou se apoia o Cleitinho, do Republicanos, que não saber se vai ser candidato ou não. O cenário ficou muito confuso.
E no campo da esquerda?
Ainda tem no campo da centro-esquerda a filiação do Rodrigo Pacheco no PSB, que nitidamente não quer ser candidato. Estão forçando de todas as formas e ele não quer ser candidato. Outro que se filiou e que ser muito ser candidato, mas não sei se teria muito espaço por não ser tão conhecido, é o Jarbas Soares Jr, ex-procurador-geral. Ele está ali, meio como uma reserva. É, o Rodrigo não quer, todo mundo sabe que ele não quer. Se Rodrigo não quiser, Jarbas pode ser o candidato na última hora. Ainda tem a esquerda mais radical, com o Psol, que parece querer apoiar Alexandre Kalil, do PDT.
A saída do Ratinho da disputa nacional prejudica o PSD nacionalmente?
A não ida do Ratinho para a disputa nacional já era esperada porque o Ratinho pai nunca quis esse nível de exposição, de pressão para o filho. E quem estava querendo mesmo é o Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Acabou o PSD indo para Caiado, que é uma figura mais de direita, mas que começou com um discurso muito bom. Um discurso que ele não vai polarizar, vai mostrar realizações. Vai focar no combate às facções e tudo mais. Então, a troca acabou sendo produtiva. É difícil o discurso parecendo um cenário polarizado. Mas parece que a campanha do Caiado vai tentar ser esse centro direita, que tantos eleitores querem.
A demora de Rodrigo Pacheco em definir sua candidatura prejudica o presidente Lula?
Pior que a demora é a falta de vontade do Rodrigo Pacheco, ele não quer ser candidato. Estão forçando e ele não quer. Mas o que tem prejudicado o Lula não é isso. O que tem prejudicado Lula é o governo, a economia, a guerra no Oriente Médio, que aumentou o preço dos combustíveis e, por conseguinte, os alimentos. O grau de insatisfação da população com o governo Lula tem aumentado.
Com a popularidade em queda pode fazê-lo desistir?
Não acredito que ele abriria mão de uma candidatura para Fernando Haddad, porque ele não tem competitividade. Ele vai meio que obrigado encarar essa disputa, porque vai ser uma diferença de 1% ou 2% para um dos 2 lados, como sempre. O enfraquecimento do Lula é mais por causa de outros motivos, é mais macro, mais macroeconómico. Em Minas acabou a novela com a filiação de Pacheco no PSB, mas tem outras novelas, como se ele vai ser candidato ou não, se Kalil vai ser candidato da esquerda. Se o Cleitinho vai mesmo ser candidato, se o PL, vai apoiar o Matheus Simon, ou se vai lançar candidato próprio. Está tudo muito indefinido no cenário de Minas. Isso é muito triste, porque Minas é um estado tão político e não tem políticos. A verdade é essa. Os políticos estão sem consistência e sem convicção. Estão jogando só para o lado da ideologia, que não é suficiente para ganhar eleição. O cenário em Minas está muito complexo. No federal, polarização está fortíssima. Já foi dada a largada. Alguns estados já mostram baixíssimo índice de indecisos na pesquisa espontânea e é difícil de criar nesse cenário a terceira via. Caiado vai tentar mudar o discurso para parecer mais competitivo nesse cenário.
Sueli Cotta










