A atuação das mulheres em territórios masculinos e como elas abriram caminhos foi o tema da Roda de Conversa – Mulheres na Transformação da Sociedade. A diretora de Recursos Humanos da Telemont, Maria de Lourdes Aguiar, contou que se preparou durante 10 anos para ser executiva. Sua trajetória não foi obra do acaso: passou por questões estratégicas, adaptabilidade – “aprender e desaprender. Ser ambidestro.” Desde cedo sabia que não bastava ocupar espaço; era essencial gerar valor, ser relevante. Já são 16 anos liderando mais de 10 mil funcionários.
A vice-prefeita de Nova Lima, Ciça Caroline, muitas vezes é a única mulher a integrar uma mesa de trabalho. “A política é um universo masculino. Mas quanto mais me preparo, mais à vontade me sinto. Sei o que estou fazendo ali e sobre o que estou dizendo.” Tem consciência de que, ao encontrar alunos das escolas públicas, ou conversar com outras mulheres, é inspiração, principalmente para meninas negras como ela, que se se veem representadas. “O trabalho é uma ferramenta de transformação.”
Maria Elvira, ex-deputada estadual e federal, também sabe o que é ser pioneira: lançou-se na política nos anos 80, “indignada com a situação das mulheres no Brasil.” Segundo ela, muita gente, à época, a desestimulou a candidatar-se. Mas Maria Elvira avalia que seu grande diferencial foi a coragem: a todo lugar que ia, pedia votos, se apresentava. “As mulheres tinham dificuldades até para levantar recursos para suas candidaturas.” Ela considera que houve avanços, mas também acredita que persistem entraves, como a falta de interesse dos presidentes dos partidos no fortalecimento das candidaturas femininas.
A artista plástica Cris Carneiro Geo se viu na necessidade de unir várias pontas da vida para sentir-se realizada. Casada e com filhos, a família sempre foi importante para sua felicidade. Mas a carreira na Comunicação também; o que a levou a mudar-se de cidade algumas vezes, até que a distância de parentes e amigos impactou na sua sensação de bem-estar. Cris Carneiro voltou-se para as artes plásticas como forma de expressão individual, descobriu uma nova paixão e lançou-se a ela. Ano passado estreou uma exposição individual e agora está abrindo a própria galeria de arte.
Estas quatro mulheres, cada uma a seu modo, desbravaram caminhos para que outras venham depois delas e ocupem espaços de liderança e tenham as mesmas oportunidades de remuneração, liberdade e decisão que os homens. (foto: Raquel Ayres/ Conexão Empresarial)










