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Empresários são sobreviventes num país de juros elevados

Empresário de sucesso e único mineiro homenageado com o prêmio Líderes do Brasil 2019, Joel Ayres da Motta Filho (foto), da JAM, sabe que não é fácil ser empresário no Brasil. Para ele, a primeira lição para se conseguir sucesso no país é não ter dívida, porque, segundo ele, os juros bancários da taxa Selic praticados pelo governo não são praticados com os empresários, que pagam muito mais. Atuando mais fortemente em São Paulo, ele tem apenas uma certeza: o estado é uma ilha de desenvolvimento em um país empobrecido e brinca que a diferença é tão gritante, que daqui a pouco, será necessário visto para entrar em território paulista.

 

Como único empresário mineiro homenageado pelo LIDE com o prêmio Líderes do Brasil 2019, muitos querem saber como se tornar um empresário de sucesso no Brasil.

Ser empresário hoje no Brasil é ser sobrevivente. O sucesso é não ter dívida. Se o empresário tem dívida, para pagá-la o seu negócio não gera o mínimo necessário para que se pague qualquer juro bancário, porque esse juro bancário da Selic, na maioria das vezes, não é praticado com o empresário, que paga muito mais alto do que os juros praticados pelo governo. Outra coisa: só quem conseguia dinheiro e financiamento, é quem tinha um esquema muito mais alto do que nós empresários que atuamos na área privada. As benesses eram mais para empresários da área pública, grandes empresários. Era BNDES, BDMG e outros empréstimos subsidiados. Nós infelizmente, nós que atuamos na área privada, ficamos muito a mercê de juros altos e com dificuldade para conseguir empréstimo. O grande segredo do empresário, para sobreviver ao subsolo do fundo do poço, é não dever. O empresário que não quebrou, está em situação muito crítica.

 

Esse primeiro ano do governo Bolsonaro, atendeu a parte da demanda dos empresários?

Veio a atender primeiro ao Brasil, porque não há existe empresário sem a sobrevivência do país. A maioria só olha para o próprio umbigo. Não pode ter corte no salário, porque eu ganho bem, sem ver a crise em que nós estávamos é de sobrevivência do país. Dou 100% de crédito ao que fizeram.

 

E o governo de Minas?

O Zema pode ser o que for, mas ele é bem intencionado e está tentando com a equipe dele sair de uma encruzilhada que é a política versus a gestão.

 

Nesse primeiro ano, ele teve dificuldade em aprovar o choque de gestão. Isso pode ser um problema?

O choque de gestão ficou parado, mas um pouco de tempo depois, ele caiu na real, compreendendo que precisava de alguém que fizesse uma interface mais azeitada com a Assembleia, colocando ali um político que pudesse entender os pleitos da Assembleia para que a Assembleia entenda os pleitos do governo. Com a saída do Custódio (Mattos) e a entrada de Bilac Pinto na secretaria de Governo, deu uma azeitada melhor nessa relação. Quando o Novo entrou, o partido entrou para dar um choque não só de gestão, mas de tudo. O radicalismo político nunca vem com um resultado em que ele saia vitorioso. Tem sempre vários traumas. O Zema está começando a pegar isso e está sabendo colocar as pessoas certas nos lugares certos. É claro que ele colocou bom gestores, que são pessoas que estão tentando tirar o nosso estado do buraco. O nosso estado faliu. Só não existe essa figura jurídica para governo. Governo não fali. Ele também pegou bons gestores que foram da equipe do professor Anastasia, o que é um mérito do Novo, em ver quem fez uma boa gestão e independente de partido, de ser inimigo ou não, e procurou focar na questão suprapartidária e técnica.

 

Muitos empresários estão acreditando que o Brasil vai acontecer em 2020. Essa é a sua percepção também?

Não. Acho que São Paulo sim. Nós que atuamos lá, temos a percepção em relação ao estado de São Paulo. Estados como o de Minas e Rio Grande do Sul e outros vão ficar a reboque do Brasil, porque não temos condições de resolver nossos problemas internamente. Acho que o Nordeste vai empobrecer bastante, porque a região vai na mesma toada de Minas e do Rio Grande do Sul, exceto em alguns segmentos que darão uma descolada, como o da construção civil. Penso que, especificamente em Belo Horizonte, teremos um crescimento da construção civil, não pelo crescimento econômico, mas por causa da mudança do plano diretor. Houve uma mudança no coeficiente de construção e as construtoras têm que aprovar os projetos para que as obras comecem. Muitos estão achando que o crescimento da construção em Belo Horizonte é por causa do crescimento econômico, mas entendo que isso é para salvar o coeficiente dos terrenos, que perderão até 2,7 vezes o coeficiente construção com o novo plano diretor.

 

As construtoras tentaram barrar essa mudança, mas não conseguiram?

As construtoras chiaram, mas na verdade, mesmo com as reclamações, foi aprovado o novo coeficiente. Os proprietários de terreno perderam esse coeficiente. Para não ter perdas, eles terão que aprovar todos os projetos até fevereiro e depois terão mais quatro anos para começar a construir. Essa corrida não se deve a economia, mas a essa perda do coeficiente de construção.

 

As suas perspectivas para 2020?

Temos grandes perspectivas Brasil afora. Nós acreditamos em Minas Gerais, acreditamos no governo de Minas Gerais, acreditamos no governo do Brasil e tenho falado que São Paulo, daqui a pouco, vai falar outro idioma e nós vamos precisar de visto para entrar lá. Nós vamos lá e parece que estamos em outro país. A diferença está brutal. Quantas empresas de vulto temos em Minas Gerais? Temos a Fiat, a Localiza, a MRV, o Banco Inter e as mineradoras. O presidente da Fiat, Antonio Filosa, conseguiu trazer uma nova fábrica para Betim e isso é um grande ganho para Minas Gerais. O grande desenvolvimento aqui: um em Nova Lima, com a Zona Limpa de Desenvolvimento, porque Belo Horizonte não tem mais para onde crescer, e a construção vai investir mais em Nova Lima, alguém tem dúvida disso? O outro é o vetor Norte, que vai abrigar o modal aéreo, esses dois vetores serão a nossa saída.

 

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