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Construção começa a impulsionar a economia, mas preços de insumos assustam

O Brasil já dá sinais claros da retomada da economia e um dos sinais está na forte retomada das obras, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações de Classe de Infraestrutura (Brasinfra) e do Sindicato da Indústria da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot MG), Emir Cadar Filho (foto). O setor não chegou a ficar muito tempo parado durante a pandemia, mas está sofrendo com a falta de insumos e com a forte alta nos preços.

 

O setor de construção sente que entramos no pós-pandemia?

Acredito que sim. Nós tivemos uma prova de fogo há 15 dias e acredito pelos níveis dos resultados, nós já estamos com a curva para baixo e o setor está a cada dia mais preparado e com os problemas diminuindo para podermos construir o Brasil.

 

A construção civil está retomando as obras. E na construção pesada qual é a situação?

A construção pesada teve uma queda logo no início da pandemia, mas não parou hora nenhuma. Ela continuou porque é impossível parar com as obras de infraestrutura, é preciso continuar com as obras. Então nós tocamos essas obras e a construção pesada não chegou a ser muito afetada. Nós estamos com uma expectativa muito boa da retomada do ritmo normal, sem problema com diminuição do ritmo das obras. O problema que estamos enfrentando a falta e o aumento exorbitante nos preços desses insumos. Muitas empresas aproveitaram a pandemia. Elas passaram por uma crise de uns três meses durante a pandemia e estão voltando tentando recuperar esse tempo perdido com o reajuste de preços, que eu diria, são até abusivos. O governo tem que olhar o que está acontecendo. Está faltando matéria prima, falta tijolo, faltam peças, falta aço, conexões, tubos, temos muitos materiais faltando. Sempre que tem uma notícia boa, vem uma ruim, que é essa falta de material e aumento de preços. Por outro lado, é um sinal de que a demanda está boa, está em alta e a economia está retomando.

 

O que o governo pode fazer? Controlar os preços?

Controle de preços não, seria mais analisar se o aumento é abusivo, se é a demanda. Não é briga. O governo está com uma taxa de juros de 2% e um produto que é necessário e que vai ajudar acelerar a economia aumentar em 25% o seu custo, tem alguma coisa errada aí. Não é regular, mas é preciso estar atento para que não aproveitem da retomada do país.

 

Esses aumentos abusivos podem inviabilizar a continuidade de algumas obras?

Não pode inviabilizar, mas pode ficar mais caro, vai ser preciso adequar os preços das obras e adequar ao mercado.

 

O governo está com um projeto grande para retomar com as obras no país, inclusive as que estão paradas. Como está caminhando esse projeto e qual a expectativa do setor?

As expectativas são muito boas, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, é um grande ministro. Nós confiamos muito nele e esperamos que a retomada aconteça, que as obras paradas sejam retomadas. Tem muito o que se fazer no Brasil, tem muitas coisas paradas e é só retomar, porque já tem os contratos e os preços e seria só o equacionamento da verba para retomar.

 

Como o setor deve fechar esse ano?

Nós ainda não temos um panorama. Tivemos um começo de ano com medo de retração, mas o ano foi normal. Foi um ano atípico para o setor por pouco tempo, talvez dois meses, enquanto muitos outros setores tiveram problemas durante seis meses. Foi um ano em que não tivemos o crescimento esperado, mas temos que levar em consideração que foi um ano em que os problemas não foram só do Brasil, foram do mundo. Acredito que o Brasil vai sair na frente dos outros, mais rápido e melhor.

 

Há alguma sinalização dessa retomada, ou é só otimismo?

Já estamos percebendo. Basta ver os projetos do governo do estado, do governo federal, todos os projetos finalizados. A expectativa para o ano que vem é muito grande, talvez transferindo um pouco da expectativa que seria para esse ano para 2021 e aí sim, esperamos ter um crescimento bastante forte no nosso setor.

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