As denúncias da Operação Lava Jato fizeram brotar mais do que a desconfiança do brasileiro em seus políticos. Novas lideranças políticas passaram a tomar o espaço antes destinado a caciques que ditavam as regras na Câmara Federal e no Senado. O acompanhamento e a fiscalização de sites e ONGs, além dos órgãos oficiais, também ajudou a mostrar quem é quem e o que fazem os nossos congressistas. Um dos destaques dessa nova safra de políticos é o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Em seu primeiro mandato, o peemedebista mineiro assumiu a mais importante comissão da Câmara, a de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A sua atuação em temas polêmicos e na condução da análise das duas denúncias contra o presidente Michel Temer foi reconhecida com dois prêmios importantes: um do site Congresso em Foco, e o outro pelo site políticos.org.br, como um dos melhores deputados, sendo o primeiro parlamentar mineiro nas duas listas. Esse desempenho o coloca como potencial candidato ao governo de Minas pelo seu partido e a defesa do lançamento de candidatura própria pelo PMDB é uma das bandeiras que Rodrigo Pacheco(foto) está levantando.
Em um momento em que a classe política está tão desgastada, prêmios como este indicam que o senhor está no caminho certo?
É um motivo de satisfação e alegria evidentemente, mas também de aviso, advertência e de responsabilidade. As pessoas estão confiando no meu trabalho e eu tenho obrigação de não decepcioná-las. Tenho obrigação de cada dia ser melhor. É assim que recebo tanto a premiação da políticos.org.br como a do site Congresso em Foco.
O fato de o senhor presidir a comissão mais importante da Câmara dos Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça, e ter comandado a análise das duas denúncias contra o presidente Michel Temer. Isso pode ter pesado na decisão?
O fato de ser presidente da principal comissão da Câmara dos Deputados, que é a de constituição e Justiça e Cidadania no meu primeiro mandato, o que é um fato inédito na história do país, um deputado de primeiro mandato ter essa condição de presidente da CCJ, e a forma como eu a tenho conduzido certamente influenciaram. Mas nós temos lá hoje, em termos legislativos, uma produção na CCJ muito positiva, até em comparação com outros anos. Uma produção legislativa muito acentuada e segundo a forma como nós conduzimos. Fui votado por unanimidade e continuo tendo o respeito unanime da CCJ, inclusive nessas questões polêmicas de denúncia contra o presidente da República, da PEC das eleições diretas, da PEC da reforma política. São pautas polêmicas e nós soubemos conduzir de maneira democrática, equilibrada e serena, que acabou por ganhar o respeito dos demais membros da CCJ. Atribuo esse momento que estou vivendo a bastante equilíbrio, serenidade e respeito às diferenças, às divergências e isso tem nos firmado nessa liderança.
Na primeira denúncia o senhor desagradou os aliados do presidente Michel Temer e na segunda denúncia a reclamação veio da oposição. É difícil encontrar um meio termo?
Como é difícil agradar a todos. Você primeiro tem que seguir a sua consciência. Em hora nenhuma tomei qualquer decisão com o objetivo de agradar ou desagradar o governo ou a oposição. Eu tomei a decisão que eu considerava a correta, o que a minha consciência recomendava nas duas oportunidades. E assim foi feito e acabei por merecer o reconhecimento e o respeito de todos os lados.
Com esse trabalho o senhor virou potencial candidato ao governo de Minas. Já obteve uma votação expressiva na eleição em Belo Horizonte. Como está esse processo no PMDB, que é um partido dividido em Minas?
Nós temos que entender que o PMDB é o maior partido em Minas Gerais. O maior PMDB do Brasil é o de Minas Gerais e nós temos que ter a obrigação e a coragem de apresentar um projeto para Minas Gerais de desenvolvimento e de reestabelecimento do protagonismo do estado no cenário nacional. Entendo que o PMDB estará unido dentro de um propósito de candidatura própria para apresentar um projeto consistente para o estado.
Se o grupo que defende a aliança com o PT insistir e conseguir manter essa aliança, pode perder uma oportunidade real de chegar ao Palácio da Liberdade devido ao desgaste do PT e do PSDB?
Entendo que todos no PMDB terão a compreensão de que é melhor ser protagonista do que ser coadjuvante. O que acredito muito é que todos tenhamos coragem para fazer o enfrentamento necessário e apresentar um projeto para Minas Gerais, com meu nome ou com algum outro nome do PMDB, porque temos nomes aptos para assumir esse papel.
O senhor tem feito algumas viagens. Como tem sido essas viagens, como o senhor está se organizando pensando em 2018?
Tenho participado dos eventos do PMDB, porque faço parte do PMDB e é legítimo que eu participe. Tenho acompanhado o presidente do partido, que sempre está nesses eventos e tenho realizado o meu trabalho na Câmara dos Deputados, procurando estar mais próximo possível dos prefeitos, dos vereadores e da realidade dos municípios de Minas Gerais. É esse o trabalho que eu tenho feito para que no futuro nós identifiquemos a possibilidade efetiva de termos um projeto salvador para Minas Gerais.
E como deve ser esse projeto diante de tanto desgaste da classe política?
Falando a verdade, com o convencimento na base da verdade, não a partir da vocação da mentira. A população não acredita mais na politicagem. Ela quer ver uma política de alto nível e isso se faz com a unificação de todos em torno de um projeto comum para o bem púbico e do Estado, com o enxugamento radical da máquina pública. Não do serviço público, mas dos penduricalhos e das mordomias que existem no âmbito do poder público. Um projeto para o desenvolvimento de Minas Gerais, seja nas vocações que Minas já tem, seja com novas vocações de desenvolvimento econômico, porque não se faz desenvolvimento humano e social sem o desenvolvimento econômico. Nós temos que desenvolver Minas para melhorar a arrecadação e melhorar, consequentemente, o serviço público. Essa é a lógica de um trabalho profissional, consistente e um trabalho planejado, sobretudo, para vencer a crise que o estado enfrenta hoje.
Quando o PMDB deve resolver sobre a candidatura para o governo de Minas, ainda neste ano ou no ano que vem?
Acho que deve deixar para o ano que vem para apresentar os nomes possíveis do partido para a discussão no âmbito da executiva e da militância do PMDB e escolher um nome que possa ser o cabeça de chapa em 2018, essa é a minha pretensão. O PMDB tem a candidatura própria com o meu nome ou com algum outro nome do partido.
Se continuarem as divergências, caberá a executiva nacional bater o martelo?
A executiva nacional tem a importância dela, evidentemente, mas o mais importante, dentro do PMDB é a militância, a vontade dos prefeitos e vereadores. Isso vai preponderar na decisão do partido. E tenho certeza que a vontade da militância é por candidatura própria.