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Marília Carvalho de Melo: Copasa entra em nova fase 

Por Paulo César de Oliveira
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Marília Carvalho de Melo (foto: Copasa/ Divulgação)

O processo de privatização da Copasa, concluído em junho deste ano, colocou em foco a atuação da presidente da companhia, Marília Carvalho de Melo (foto: Copasa/ Divulgação). Ela assumiu o comando da empresa no final de 2025 para liderar e concluir todo o processo. Mas ela fez muito mais. A começar pela mudança no relacionamento com os prefeitos dos 636 municípios atendidos pela Copasa e ainda continua fazendo uma transformação na empresa até a conclusão da privatização no Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica. 

Passado o processo de privatização da Copasa na Bolsa de Valores, quais os próximos passos. Os servidores estão contestando o processo, essa é a fase dos questionamentos?

Na verdade, não deveria ser. Essa é a fase da construção da nova Copasa. Nós tivemos a conclusão do processo de desestatização, e ainda aguardamos alguns trâmites administrativos de aprovação para que a empresa que virou investidora de referência possa, de fato, estar na gestão da companhia. Nós estamos dialogando desde o início, inclusive com os empregados da companhia, humanizando esse processo com um compromisso com transparência, para levar sempre as informações muito claras para eles. Esse processo de contestação do sindicato vem especialmente de um trabalho de gestão que a gente vem fazendo, de organizar melhor as equipes no interior. Mas isso não tem absolutamente nada a ver com o processo de desestatização. É uma ação de gestão que já estava prevista de estar em execução. Os empregados têm 18 meses de estabilidade e, com toda sinceridade, com a ampliação dos investimentos, que é o que se espera com a desestatização, vamos precisar reter os bons empregados aqui. Então, acho que é muito mais a gente ter um entendimento do momento, que não é o momento de contestação. Eu acho que, pelo contrário, para os empregados, eu tenho muita convicção que será um momento de valorização dos bons empregados da companhia. 

O que o consumidor da Copasa pode esperar com esse processo?

Agora, como uma empresa privada, nós nos liberamos das amarras da administração pública, de contratação com licitação, de não poder trocar terceirizado que presta serviço ruim. Então, o nosso consumidor final, ele pode esperar uma melhoria no nosso atendimento, na prestação de serviço, em todos os aspectos. Desde uma resposta rápida em relação a vazamentos que possam ocorrer, canais de atendimento mais eficientes para atender as demandas dos nossos clientes e água de qualidade e esgoto coletado e tratados.

A questão de investimentos no acesso ao tratamento de água e do esgoto, como foi tratado nesse processo de privatização?

No próprio processo de desestatização, uma das obrigações do investidor de referência, que chama isso até de “cláusula de lock-up”, em que ele não pode sair da companhia enquanto todos os municípios da Copasa não estiverem universalizados. O que é que a lei fala, que é a universalização? É ter 99% de tratamento e distribuição de água para 99% da população, 90% de coleta e tratamento de esgoto. Então isso é uma garantia que foi colocada nos documentos da privatização para que o novo investidor tenha esse compromisso da universalização. 

Fica sempre o temor de que o serviço pode ficar mais caro. Existe esse risco? 

Quem regula o valor da tarifa é a agência reguladora de água esgoto, que é a Arsae -MG. Nós temos alguns requisitos de cálculo tarifário. É claro que a quantidade de investimentos impacta na tarifa. Impacta porque é uma prestação de serviço como outro qualquer. Quando se tem um investimento maior, tem um ressarcimento na tarifa em relação a esse investimento. Mas nós temos também alguns benefícios, que chamamos de benefícios tarifários e, se nós temos uma prestação de serviço de qualidade dentro dos indicadores exigidos pela Arsae, nós conseguimos esses benefícios tarifários. Por fim, a Copasa hoje funciona com uma tarifa única para todos os municípios que ela atua. Então isso também nos dá uma harmonização de que eu consigo com investimentos em determinados municípios, amortizar isso nesse cômputo geral de 636 municípios. Não se espera de fato, um aumento expressivo na tarifa nos próximos anos, mas obviamente a gente vai ter um ciclo de investimento que é remunerado na tarifa, como nunca teve no estado de Minas Gerais antes.

Os prefeitos também preocupados. O que eles mais temem nesse processo?

 Desde que cheguei, eu já reuni com quase 500 prefeitos. Eu percebi que tinha um distanciamento muito grande da Copasa com os prefeitos e uma insatisfação muito grande. Então, começamos esse processo de diálogo, de transparência, de construção de uma outra forma de relação, porque eles são os nossos principais clientes. É com a prefeitura que eu assino o contrato para poder chegar na casa das pessoas. Agora, após a privatização, retomamos, com grande esforço para fazer a conversão dos contratos. E por que que isso é importante? Porque os novos contratos, eles dão garantia de universalização de água e esgoto. Tem cláusulas que falam “obriga-se a Copasa a investir para se atingir 99% de abastecimento público”. Com esgoto é da mesma forma. Nós temos indicadores de desempenho, como a redução de intermitência de água, padrão de qualidade. O contrato dá muito mais segurança aos prefeitos, inclusive que é da obrigação que é do município de universalizado. Nós temos agora uma nova Copasa. Esse processo de desgaste com a Copasa antiga, a Copasa estatal se dá muito pelas amarras que essa companhia antiga tinha de contratar bom fornecedores, de dar respostas rápidas em obras, tinha problema de execução de obras e agora, a gente vai mudar tudo isso. 

E o futuro da Marília? 

Eu vim para a Copasa a pedido do governador Zema e Matheus Simões para conduzir o processo de desestatização da companhia. Sou engenheira civil de formação, com informação na área, mestrado e doutorado. Já trabalhei com saneamento na minha vida e nas minhas próprias experiências no Estado. Para além de conduzir o processo de desestatização, eu comecei um processo de mudança de gestão na companhia. Mas, obviamente, as decisões sobre permanência ou não caberão aos novos acionistas de referência. Sobre a minha vontade, gostaria sim de ficar, porque eu acho que a gente tem muito a fazer na Copasa para geração de valor para os acionistas. Mas, especialmente para as pessoas aqui no estado de Minas Gerais, da melhoria do saneamento. Agora é preciso esperar a aprovação definitiva do Cade.

Sueli Cotta

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