A Noruega, país de pouco mais de 5 milhões de habitantes, transformou sua riqueza do petróleo em poupança pública, planejamento de longo prazo e patrimônio para as próximas gerações. Seu fundo soberano é hoje um dos maiores do mundo e detém, em média, 1,5% das ações de empresas listadas globalmente. O Brasil, dono do pré-sal e de talentos que o mundo ainda cobiça, fez outro caminho: capturou parte da riqueza pelo curto prazo, pela disputa política miúda, por obras suspeitas, emendas opacas e projetos que raramente sobrevivem ao próximo ciclo eleitoral. No campo, a Noruega pode até nos vencer por disciplina, força física e organização. Na política, a goleada é mais constrangedora: eles trataram o petróleo como herança; nós, muitas vezes, como butim. Futebol se recupera com treino. País se recupera com vergonha na cara, instituições sérias e políticos que pensem além da próxima eleição. A bola, nos pés do artilheiro Erling Haaland, nos puniu por 90 minutos. A má política vai nos cobrar por gerações. (Foto reprodução Fifa)










