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A cúpula das cadeiras vazias 

Paulo César de Oliveira
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Wagner Gomes 

Há momentos em que uma nação revela mais naquilo que não acontece do que naquilo que proclama para impressionar o mundo. A COP30 foi isso: um acontecimento vazio, cujo silêncio denunciou a fragilidade de um governo que confunde encenação com política. As democracias modernas adoram se encantar com suas próprias virtudes; no Brasil, esse encantamento quase sempre termina em presepada. O governo imaginou um teatro iluminado, pronto para receber líderes globais. Veio apenas o silêncio constrangedor das cadeiras vazias — a recusa dos americanos, europeus e vizinhos latino-americanos. Veem no Brasil não o guardião da floresta, mas um país preso às suas contradições: uma Amazônia celebrada nos discursos e negligenciada no cotidiano; um Estado que invoca a natureza enquanto fracassa em governar os que nela vivem. Cada cadeira vazia na COP30 é um voto de desconfiança. E quando ninguém aparece, o problema não é a chuva — é o anfitrião. A diplomacia brasileira, apaixonada pelo próprio reflexo, supôs que o mundo viria assistir à sua ópera ambiental. Não veio. Política séria não vive de salões, mas de alianças estáveis, decisões firmes e credibilidade — nada disso se viu. A COP30, erguida como templo, revelou-se vitrine: ostentou ambição, exibiu desordem. As potências, que não se movem por sentimentalismos, olharam o convite, pesaram o emissor e disseram: “Depois a gente vê.” Nem os vizinhos levam o Brasil tão a sério quanto o Brasil imagina. Nos bastidores, a velha desordem nacional repetiu seu número: ministérios que se estranham, ONGs que atropelam o Estado, governadores disputando holofotes. Todos se dizendo tutores da floresta enquanto ela permanece com índices sociais do século XIX. É a decadência das instituições de uma República com alergia à coordenação. No fim, a COP30 expôs o país como ele é, não como gostaria de ser visto: gigante moral no discurso, anão prático na execução. Falta método, sobram slogans; falta Estado, sobra marketing; falta estratégia, sobra improviso — e o improviso sempre cobra seu preço. As democracias sérias têm a rara capacidade de corrigir seus desvios quando a realidade constrange. Percebe-se, sem querer ser rabugento, que o Brasil só anda quando a farsa, finalmente, constrange. Cabe ao Brasil retomar o caminho mais árduo: reconciliar desenvolvimento e responsabilidade, unir ciência e prudência, transformar a floresta em projeto, não em cenário. A lição é simples: quem promete demais ao mundo e entrega de menos em casa acaba discursando sozinho. Poucos espetáculos são tão implacáveis quanto o da ausência — porque nele, até o silêncio grita e acusa. 

Wagner Gomes – Articulista 

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